...

O novo coronavírus SARS-Cov2, agente da COVID-19, pegou carona com os viajantes, mas a resistência a antimicrobianos também se dissemina assim

Os microrganismos resistentes aos antimicrobianos também podem ser transportados através do movimento e transporte de pessoas de um lugar a outro, um fenômeno discutido há bastante tempo, muito antes da época da COVID-19.

O artigo trata não apenas da mobilização das pessoas de um local a outro através do turismo recreacional ou turismo médico, mas também a mobilização ou importação de alimentos que podem estar colonizados por bactérias multirresistentes. Você poderá ver como os microrganismos resistentes não reconhecem fronteiras internacionais. Pessoas que viajam para locais onde a prevalência de microrganismos resistentes é muito grande estão sim mais expostas e podem voltar ao seu país de origem colonizadas com estes microrganismos.

Os autores do artigo mostram através de evidências científicas que a viagem é importante na disseminação e aquisição de diferentes tipos de microrganismos resistentes. Alguns exemplos são a mobilização dos patógenos Campylobacter e Salmonella, mais frequentes em determinadas regiões do planeta, a aquisição de colonização intestinal por  amostras de Enterobacteriaceae produtoras de β-lactamase de espectro estendido (ESBL-E), a disseminação de Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) e Enterococcus resistentes à vancomicina (VRE).

Esperava-se que houvesse um impacto cada vez maior dessa disseminação com as projeções do crescimento exponencial das viagens, estimadas para atingirem 1,8 bilhões (em número de viajantes) no ano 2030.  No entanto, o impacto que a pandemia de Coronavírus terá nesse processo, considerando a expectativa na redução de viagens e de aumento de infecções por bactérias multirresistentes ainda é incerto.

Acesse o link do artigo a seguir: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31115466/

Autores da matéria: Samantha dos Santos Tufic Garutti, Káris Maria de Pinho Rodrigues e João Vitor Almeida Ramalho