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Avaliação de métodos fenotípicos de baixo custo para detecção de resistência à Polimixina B

Devido ao aumento da resistência às polimixinas, o desenvolvimento de métodos de triagem confiáveis ​​e econômicos para determinar a suscetibilidade e resistência a esses antibióticos é uma necessidade importante para os laboratórios de microbiologia clínica a fim de prevenir a disseminação do gene mcr-1. Em artigo científico publicado recentemente, parte dos esforços da equipe do INPRA para avaliar o efeito de quelantes como EDTA e ácido dipicolínico foram avaliados quanto à concentração inibitória mínima da polimixina B pela microdiluição em caldo, provando ser uma abordagem fenotípica confiável que demonstra excelente precisão e que pode ser usada para a detecção presuntiva de bactérias produtoras de MCR-1 usando a microdiluição em caldo.

As polimixinas (colistina e polimixina B) voltaram a ter uma importância significativa como medicamentos de última linha para o tratamento de doenças infecciosas causadas por bactérias Gram-negativas multirresistentes. No entanto, a resistência às polimixinas aumentou e o reconhecimento da resistência mediada por plasmídeo (pelo gene mcr) tem levado a uma preocupação a nível epidemiológico. A produção de fosfoetanolamina transferase (MCR-1), a proteína codificada pelo gene mcr-1, leva a um aumento na concentração inibitória mínima (CIM) para polimixinas e é um grande problema de saúde mundial, pois pode se disseminar rapidamente.

O método de referência utilizado para avaliar a suscetibilidade de um isolado às polimixinas é a microdiluição em caldo, que tem se mostrado confiável, preciso e de baixo custo. No entanto, este teste fenotípico não distingue a resistência às polimixinas mediada pelo gene mcr-1 da resistência causada por mecanismos cromossômicos.

Uma vez que foi demonstrado que a estrutura do sítio catalítico de MCR-1 é composta por uma metaloproteína de zinco, essencial para o desempenho de sua atividade enzimática, o Laboratório de Pesquisa em Resistência Bacteriana (LABRESIS) publicou um estudo envolvendo 94 isolados de Enterobacterales (dos quais 47 eram mcr-1 positivos), avaliando o efeito do EDTA e do ácido dipicolínico (DPA) na inibição de MCR -1 por privação de zinco baseando-se na determinação da CIM da polimixina B. Verificou-se que a adição de um quelante como EDTA ou DPA na microdiluição em caldo de polimixina B reduziu os valores de CIM para os isolados que expressavam o gene mcr-1 em pelo menos 2 logs. Os ensaios baseados em EDTA e DPA demonstraram ser métodos confiáveis ​​para detectar isolados positivos para mcr-1 com excelente performance (Sensibilidade = 95,7% para EDTA e 95,7% para DPA; Especificidade = 97,9% e 95,7% para EDTA e DPA, respectivamente).

Este ensaio fenotípico poderia, portanto, ser usado para a detecção presuntiva de isolados produtores de MCR-1 em laboratórios de microbiologia, uma vez que apresentou alta sensibilidade para ambos os quelantes. Da mesma forma, os valores de CIM da polimixina B não mudaram significativamente para quase todos os isolados mcr-1 negativos, o que confere alta especificidade do EDTA e DPA como inibidores da proteína MCR-1. Neste contexto, os ensaios de microdiluição em caldo baseados em quelantes como o EDTA e DPA são ferramentas importantes para auxiliar na detecção de isolados positivos para mcr-1 em laboratórios que não possuem acesso a técnicas moleculares.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

Autoria: Dra. Priscila Lamb Wink

Revisão: Prof. Dr. Afonso Luís Barth