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Bactérias resistentes isoladas de LCR

Segundo a Organização Mundial de Saúde, meningite ainda é grande ameaça global associada a inúmeras complicações e altas taxas de mortalidade, sendo essencial a notificação imediata e investigação epidemiológica.

Meningite é caracterizada pela inflamação das três membranas protetoras (dura-máter, aracnoide e pia-máter) que revestem o encéfalo e a medula espinhal. Diversos agentes infecciosos, como bactérias, vírus, fungos e protozoários e agentes não infecciosos (ex: traumatismo) podem ser a causa dessa doença.

Entre as bactérias causadoras desta doença, três se destacam por sua incrível capacidade de provocar meningite, conhecida como “meningite clássica”: Neisseria meningitidis, Haemophilus influenzae sorotipo b e Streptococcus pneumoniae.

No Brasil, existem poucos relatos de membros da Ordem Enterobacterales e de bacilos gram-negativos não fermentadores isolados de líquido céfalo raquidiano (LCR) causando meningite, e dados associados aos mecanismos de resistência envolvidos nos fenótipos multidroga resistente (MDR), extremamente droga resistente (XDR) e pan droga resistente (PDR), também são poucos.

Nosso grupo publicou recentemente novas informações sobre características fenotípicas e moleculares de Pseudomonas aeruginosa isoladas de LCR.

Dentro desta coleção, a maioria dos isolados apresentaram fenótipo XDR, característica importante e preocupante frente as opções terapêuticas. Dentre estes, dois isolados de P. aeruginosa chamaram atenção por apresentarem genes bla de interesse. Ao final de todas as análises foi possível determinar a localização plasmideal de blaCTX-M-2 e também de blaGES-1, sendo carreados pelo plasmídeo do grupo IncP2. Além de genes de resistência, foram detectados também genes de virulência, entre eles, genes envolvidos na motilidade, na formação de biofilme, entre outros. Também foram detectados genes relacionados a maquinaria plasmideal sendo genes de conjugação (família tra) e genes de partição (família par) mostrando que a conjugação in vivo pode ocorrer.

Para mais detalhes de metodologia e análises dos resultados, veja o artigo na íntegra acessando o link:

https://aac.asm.org/content/63/7/e00186-19

 

Autoria: Drª Anelise Stella Ballaben

Revisão: Drª Renata Galetti