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Aquisição de determinantes de resistência antimicrobiana em Enterobacterales por viajantes internacionais de uma grande área urbana do Brasil

Este estudo publicado esse ano (2021) avaliou a aquisição de Enterobacterales multirresistentes (MDR-E) e produtor de ESBL (ESBL-E) na microbiota intestinal de viajantes que partem do Rio de Janeiro, Brasil. Foram incluídos no estudo 210 participantes, sendo que a maioria viajou para a África Subsaariana e América do Sul. Um total de 26 participantes (12%) já carreavam amostras MDR-E em sua microbiota antes da viagem, sendo 18 (9%) dessas ESBL-E. Nesses dados de antes da viagem, observamos importante colonização por MDR-E, incluindo um aumento da colonização por ESBL-E ao longo do estudo (1% em 2015 e 11% em 2019).

Durante a viagem, 59 (32%) participantes adquiriram MDR-E (sendo 43, 22% desses produtores de ESBL). Os genes de resistência adquiridos após a viagem foram blaCTX-M (incluindo blaCTX-M-15, blaCTX-M-8, blaCTX-M-127, blaCTX-M-55 e blaCTX-M-14), blaCMY (blaCMY-2 e blaCMY-4), uma amostra de Escherichia coli produtora de carbapenemase (blaOXA-181) e dois viajantes adquiriram amostras de E. coli portadora de mcr-1. Detectamos também aquisição dos genes que codificam resistência plasmidial as fluoroquinolonas aac (6′)-Ib-CR, qnrS, qepA e qnrB.

A frequência de aquisição foi maior para os viajantes que visitaram o Sudeste Asiático, Subcontinente Indiano e Norte da África. O uso de antimicrobianos durante a viagem e a região visitada, e não a ocorrência de diarreia durante a viagem, foram associados com a aquisição de MDR-E.

Muitos desses dados são semelhantes ao que encontramos na literatura internacional, com viajantes partindo de países desenvolvidos. Mostramos a importância da vigilância da colonização por bactérias MDR na comunidade e da realização de estudos que avaliam a aquisição dessas bactérias durante viagens para o controle de determinantes de resistência no Brasil. A consulta pré-viagem com o aconselhamento sobre cuidados durante viagens é fundamental para diminuir o risco de colonização por MDR-E, que por sua vez pode diminuir as chances de infecções por microrganismos resistentes aos antimicrobianos.

Para saber mais sobre o artigo basta clicar no link a seguir:

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1477893921000697

(DOI: 10.1016/j.tmaid.2021.102028)

Autores: Samantha Tufic Garutti e Beatriz Moreira