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Canabidiol (CBD) contra superbactérias: potencial reposicionamento do CBD + polimixina B (PB) contra bacilos gram-negativos resistentes à PB.

Bacilos gram-negativos (BGN) produtores de carbapenemases (KPC ou NDM) e resistentes às polimixinas representam um desafio no tratamento de infeções bacterianas, principalmente quando apresentam os fenótipos de co-resistência aos carbapenêmicos, aminoglicosídeos, polimixinas e tigeciclina (CAPT-resistentes) e de extremamente droga-resistência (XDR), limitando sobremaneira as opções terapêuticas contra essas “superbactérias”. Neste cenário, a pesquisa e desenvolvimento de novos antibióticos ou combinações de substâncias antimicrobianas contra superbactérias são urgentes, e o reposicionamento de fármacos representa uma abordagem promissora. O Canabidiol (CBD) é o canabinoide não psicoativo mais abundante dentre os mais de 400 compostos isolados da Cannabis sativa, a qual apresenta diversidade de substâncias bioativas de potencial medicinal. O CBD tem sido associado a múltiplas e potenciais atividades biológicas, com destaque para suas propriedades ansiolíticas, antipsicóticas, anti-inflamatórias, analgésicas, antioxidantes, neuroprotetoras, inibidora da proliferação de células cancerígenas e de potencial fármaco no tratamento de pacientes com COVID-19 nas formas leve a moderada. Atualmente, o CBD é registrado e comercializado na Europa, Estados Unidos e Brasil como fármaco para o tratamento de epilepsia farmacorresistente ou epilepsia refratária. O CBD também possui atividade antibacteriana in vitro contra cocos e bacilos gram-positivos (Enterococcus spp., Staphylococcus spp., Micrococcus luteus, Streptococcus spp., incluindo S. pneumoniae, e Rhodococcus equi), Mycobacterium tuberculosis e diplococos gram-negativos (Neisseria meningitidis, Neisseria gonorrhoeae e Moraxella catarrhalis), mas não contra BGN (Abichabki et al. 2021. bioRxiv. Pre-print). Destacadamente, nosso estudo demonstrou que a combinação de CBD (≤ 4 µg/mL) + polimixina B (PB ≤ 2 µg/mL) apresenta interessante atividade antibacteriana in vitro contra BGN (Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, Enterobacter cloacae, Acinetobacter baumannii), em especial contra K. pneumoniae produtora de KPC, resistente à PB (CIMs de PB variando de 4 µg/mL a 256 µg/mL) e apresentando fenótipo de CAPT-resistência e XDR. Adicionalmente, foi observada atividade antibacteriana combinada de CBD + PB contra N. meningitidis, N. gonorrhoeae e M. catarrhalis (Abichabki et al. 2021. bioRxiv. Pre-print). Nossos resultados sugerem potencial translacional e de reposicionamento do CBD como antibacteriano, especialmente na combinação CBD + PB contra BGN, com destaque contra K. pneumoniae resistente à PB.
 
Mais detalhes, veja em: “Cannabidiol (CBD) repurposing as antibacterial: promising therapy of CBD plus polymyxin B against superbugs”
 
Autores: Nathália Abichabki, Ana Lúcia Darini e Leonardo Andrade.